Montes Quênia e Kilimanjaro: qual pico escolher para um trekking em alta altitude?
Os montes Quênia e Kilimanjaro são duas montanhas emblemáticas da África Oriental. A cada ano, esses dois picos atraem milhares de trekkistas em busca de sensações fortes em alta altitude. Você está em dúvida entre os dois?
Os montes Quênia e Kilimanjaro são duas montanhas emblemáticas da África Oriental. A cada ano, esses dois picos atraem milhares de trekkistas em busca de sensações fortes em alta altitude. Está em dúvida entre os dois? Descubra suas particularidades, suas rotas e suas trilhas – e parta para a ascensão da Montanha da Avestruz (monte Quênia) ou do Teto da África (na Tanzânia)!
Monte Quênia ou Kilimanjaro: o que esperar durante um trekking?
Situados respectivamente no Quênia e na Tanzânia, os montes Quênia e Kilimanjaro são frequentemente comparados em razão de sua proximidade geográfica (cerca de 300 km os separam). São frequentemente considerados um dilema para os trekkistas, que hesitam entre as duas ascensões.
Porém, ainda que esses dois picos da África sejam procurados por sua altitude muito elevada, oferecem experiências distintas, com paisagens e desafios próprios de seu terreno e de seu nível de dificuldade.
Altura do monte Quênia: 5 199 m
O monte Quênia é um antigo vulcão, pontuado por zonas florestais, lagos, geleiras e vastas planícies. Essa denominação engloba, na verdade, vários picos, dentre os quais os montes Lenana (4 985 m), Nelion (5 188 m) e Batian (o segundo pico mais alto da África, que se eleva a 5 199 m).
Situado a cerca de 4 horas de carro de Nairóbi, a leste do Vale do Grande Rift, essa montanha sagrada também abriga numerosos animais (incluindo macacos colobo e corujas-abiópicas), bem como uma zona florestal protegida e classificada pela UNESCO.
Menos turístico que o Kilimanjaro, o monte Quênia é também o mais selvagem (com vários andares de vegetação) e é um pouco mais difícil... Resultado? Ao contrário de seu vizinho tanzaniano, não é vítima de sobreturismo na alta estação (embora o Parque Nacional do Monte Quênia, por sua vez, permaneça um destino bastante turístico).
Altura do Kilimanjaro (o teto da África): 5 895 m
Situado na Tanzânia, o monte Kilimanjaro é apelidado de "teto da África" em razão de seu lendário pico, que culmina em 5 895 m de altura! Composto por florestas, terras altas, geleiras e desertos de altitude, o maciço abriga três antigos vulcões: Shira (e suas vistas inesquecíveis sobre a savana), Mawenzi (o "irmão menor" elevado a 5 149 m) e Kibo, onde se encontra o monte Uhuru – o pico mais alto do Kilimanjaro.
Parcialmente classificado pela UNESCO (em razão de sua vegetação e fauna excepcionais), o Kilimanjaro oferece caminhadas variadas onde se pode, notadamente, avistar macacos e aves de rapina.
Muito frequentado, o sítio atrai aproximadamente 35 000 trekkistas anualmente (fora guias e carregadores)! Para garantir a segurança dos caminhantes (e proteger, simultaneamente, o ambiente desse sítio ultraturístico), a regulamentação exige a presença de um guia homologado para realizar a ascensão do Kilimanjaro.
Trekking aos montes Quênia e Kilimanjaro (o pico mais alto da África): trilhas e dificuldades
O monte Quênia: a ascensão mais difícil
Menos elevado que o Kilimanjaro, o monte Quênia apresenta, por sua vez, algumas dificuldades técnicas. Sua ascensão, que dura entre 3 e 7 dias (segundo a rota utilizada), permanece, não obstante, acessível a todos os níveis de caminhada graças à diversidade de seus itinerários.
A rota Naro Moru é uma trilha um tanto difícil, destinada preferencialmente a caminhantes experientes. Realizável em 3 ou 4 dias, esse caminho serpenteia através de uma floresta tropical, pontuado por bambuzais e encostas íngremes. A ascensão final conduz até o pico Lenana, de onde se pode admirar o pôr do sol e as geleiras do monte Quênia. Trata-se da rota mais curta, mas também da mais íngreme.
A rota Sirimon é um circuito mais acessível, ideal para uma subida progressiva em alta altitude. Em 4 dias, esse itinerário atravessa uma floresta tropical (reputada por sua fauna e flora), antes de alcançar paisagens rochosas ao redor do Shipton's Camp. Ao final, a ascensão também conduz ao pico Lenana, também reputado por seus panoramas de 360° sobre as planícies circundantes.
A rota Chogoria é um itinerário situado na face leste do monte Quênia. Em 5 a 6 dias, essa rota atravessa florestas de bambu e segue cascatas, antes de levar ao lago Michaelson. A subida progressiva permite boa aclimatação. Essa rota é considerada uma das mais bonitas!
A rota Burguret é uma trilha pouco frequentada que leva ao pico do monte Quênia em 5 a 6 dias. Ela atravessa florestas densas e zonas isoladas onde é preciso, literalmente, abrir caminho na natureza luxuriante! Menos estruturada que outros itinerários, destina-se a caminhantes experientes em busca de superação...
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Quando fazer a ascensão do monte Quênia? O melhor período para fazer um trekking no monte Quênia é a estação seca. Esta é dividida em dois períodos: de julho a outubro, depois de dezembro a março. Durante esses dois períodos, o tempo oferece condições ideais de caminhada, sem risco de chuvas e trilhas escorregadias. É recomendado evitar a estação úmida, entre abril e junho. |
O Kilimanjaro: a ascensão mais turística
À semelhança do monte Quênia, o Kilimanjaro possui vários itinerários, que permitem alcançar os diferentes picos do maciço. Segundo a rota utilizada, a duração da caminhada semanal é mais ou menos longa – com dias de 12 a 15 horas de caminhada, segundo os circuitos.
A rota Marangu é a via mais direta para alcançar o pico do Kilimanjaro. Realizável em 5 dias, esta é bastante difícil e destinada a trekkistas confirmados. Esse percurso oferece menos variedade de paisagens que outras rotas, mas promete uma experiência mais técnica e desafiadora para caminhantes em busca de desempenho.
A rota Lemosho é um itinerário pouco frequentado, dotado de paisagens eclética. O início do percurso é feito de encostas suaves, que permitem uma subida progressiva, ideal para se acostumar com a altitude. Por razões logísticas, essa rota custa um pouco mais que as outras, mas oferece uma taxa de sucesso em torno de 90%!
A rota Rongai é uma via pouco frequentada em razão de suas vastas zonas desérticas, que oferecem menos animais e vegetação para observar. Em contrapartida, essa trilha garante uma experiência mais selvagem e isolada que as outras rotas… Perfeita para caminhantes que buscam evitar a multidão e a vegetação luxuriante...
A rota Machame é um itinerário renomado pela diversidade de suas paisagens. Em 7 dias? Você atravessará florestas, cânions vulcânicos, campos de plantas gigantes – e será encantado por suas vistas inesquecíveis sobre as geleiras... Esse percurso é preferencialmente acessível a caminhantes experientes. Porém, ainda que a ascensão seja bastante exigente, esta última é muito popular e também apresenta uma boa taxa de sucesso.
As rotas Umbwe e Shira são duas vias difíceis, reservadas a alpinistas experientes. A rota Umbwe é fisicamente intensa, com encostas íngremes e condições climáticas variáveis. Apenas os verdadeiros alpinistas poderão alcançar os picos do Nelion (5 188 m) ou do monte Batian (5 199 m). Por sua vez, a rota Shira é um pouco menos íngreme, mas permanece um verdadeiro desafio para trekkistas.
A rota do Norte (ou Northern Circuit) é um itinerário de aproximadamente 9 dias ao redor do Kilimanjaro. Permite descobrir todas as faces do monte e aproximar-se dos vulcões Shira, Mawenzi e Kibo. Pouco frequentada, essa rota oferece um ritmo de caminhada bastante lento, ideal para aclimatação e todos os níveis de caminhada. Esse circuito também permite atravessar paisagens muito diferentes.
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Quando fazer a ascensão do Kilimanjaro? A ascensão do Kilimanjaro é ideal durante as duas estações secas, de dezembro a meados de março, depois de junho a outubro. Por outro lado, é desaconselhada durante a estação das chuvas, de final de março a final de maio, depois em novembro – em razão das intempéries e da cobertura nublada que tornam as trilhas lamacentas (e mais perigosas). |
Como ter sucesso em seu trekking aos pontos culminantes da África?
A preparação física
Seja qual for o maciço, os montes Quênia e Kilimanjaro representam desafios exigentes que, como vimos, requerem uma excelente condição física. Por essa razão, as duas ascensões necessitam de um bom treinamento antecipado.
Para isso, é aconselhável praticar uma atividade esportiva regular nos meses anteriores à viagem – para melhorar sua força muscular, sua capacidade cardiovascular e sua resistência. É também essencial fazer caminhadas, para preparar seu corpo (e sua mente) às exigências da montanha e às dificuldades da altitude.
Para evitar o mal de altitude uma vez no local, é recomendado permanecer em uma cidade situada a pelo menos 2 500 metros de altitude, 48 horas antes do trekking – aproveitando esse período para descansar e se hidratar bem.
A organização
Os guias e os carregadores
A fim de garantir a segurança dos trekkistas e o respeito ao meio ambiente, a ascensão do Kilimanjaro ou do monte Quênia é feita obrigatoriamente ao lado de um guia credenciado. A equipe de apoio é proposta por agências de viagens locais.
Em razão dos desníveis e das dificuldades relacionadas à altitude, é impossível transportar por si mesmo todo o necessário para um trekking de vários dias. Por essa razão, carregadores locais o acompanharão durante todo o percurso – entre 3 e 5 carregadores por trekkista!
Por que tantos? Porque estes transportam as tendas, a água, a comida, e às vezes até parte das mochilas dos caminhantes. Durante a expedição, estes também são responsáveis por montar e desmontar os acampamentos, preparar as refeições, etc.
Tendo uma profissão difícil, os carregadores merecem uma remuneração à altura de seus esforços. É, portanto, essencial escolher uma agência ética, que colabore com profissionais reconhecidos, e que veile pelas suas boas condições de trabalho (respeitando, por exemplo, a carga máxima de 18 kg/carregador).
A hospedagem
Se os dois treks oferecem a possibilidade de dormir em bivaque, estes também possuem algumas diferenças no nível de hospedagens.
Por um lado, o Quênia está dotado de vários acampamentos-base com instalações padrão ou rudimentares segundo os locais. Dentre eles, os acampamentos de Naro Moru, Chogoria, Mackinder, Shipton e Kisoi Munyao.
Por outro, o Kilimanjaro oferece, além dos acampamentos, a possibilidade de dormir em lodges (que é essencial reservar bem antes de sua viagem para ter certeza de ter espaço, especialmente na estação seca).
O equipamento
Para uma ascensão bem-sucedida, a preparação das mochilas é também uma etapa importante. A fim de lidar com as mudanças climáticas que podem ocorrer em altitude muito elevada: você deve estar bem equipado. Para seu trekking, prepare uma mochila de randonnée de 30-50 L (com uma capa impermeável e um saco de hidratação – equipado com um sistema de filtragem e uma piteira, para poder beber facilmente água potável).
Roupas e proteção contra o frio
- Boas botas de caminhada,
- Jaqueta impermeável e corta-vento,
- Casaco quente,
- Fleece e roupas íntimas térmicas,
- Calça de caminhada (resistente à água),
- Gorro, luvas e lenço,
- Meias em lã quente,
- Boné ou chapéu,
- Um par de sapatos confortáveis para a noite,
- Bastão de caminhada telescópico (pouco volumoso e muito útil para se ajudar nos momentos difíceis),
- Saco de dormir adequado para temperaturas negativas (-10°C a -20°C),
- Tapete de solo/colchonete (para mais conforto).
- Protetor solar (índice 50) e bálsamo labial (formulado para esportistas),
- Óculos de sol (com proteção UV)
Material de acampamento e lanches
- Lanterna frontal,
- Canivete suíço,
- Estojo de primeiros socorros (comprimidos para dor de cabeça, curativos, antissépticos, etc.),
- Manta de sobrevivência,
- Barras energéticas.
Para não sobrecarregar sua mochila (e complicar a ascensão), leve apenas o essencial. O ideal é não ultrapassar 6 kg de bagagem.
As formalidades
O seguro
As agências frequentemente oferecem um seguro padrão em seus pacotes. Porém, para uma viagem em altitude, é preferível optar por uma cobertura mais adaptada aos riscos específicos da alta montanha. Se sua agência não oferece esse tipo de seguro, é aconselhável contratar um seguro complementar, a fim de se beneficiar de uma proteção mais completa.
As taxas de entrada nos parques
A ascensão do Kilimanjaro custa mais que a do monte Quênia, em razão de sua grande notoriedade – que puxa os preços para cima. De fato, este último goza de uma reputação internacional, notadamente porque pertence aos famosos Seven Summits (os sete picos mais altos do mundo). Sua altitude muito elevada também implica uma logística mais importante e uma duração de trekking mais longa, que influem no preço.
Em comparação, a licença de ascensão do monte Quênia custa entre 600€ a 700€, para um trekking de 4-5 dias, enquanto a do Kilimanjaro se eleva em média a 900€, para uma excursão de 7 dias. Essas taxas geralmente estão incluídas no preço global de um circuito, mas é recomendado verificar com sua agência de viagens).
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Quanto custa um trekking no monte Quênia ou Kilimanjaro? O preço dessas duas famosas ascensões também depende de: ● do período (com tarifas mais elevadas na alta estação), ● do tipo de hospedagem (bivaque, acampamento, lodge?), ● dos serviços inclusos durante a excursão (número de carregadores, equipamento fornecido, material de segurança, etc.), ● as taxas anexas (gorjeta, taxas de preservação dos parques ou suplementos para acampamento, etc.). Sem passagem aérea, preveja aproximadamente 2 500€/pessoa para a ascensão do Kilimanjaro (em função do circuito, do itinerário, das taxas de agência, etc.), e 2 490€ para o monte Quênia. |
Perguntas frequentes
É difícil subir o Kilimanjaro?
A ascensão do Kilimanjaro não apresenta dificuldade técnica, mas o esforço físico é intenso, especialmente no final do percurso onde a altitude, o frio e o cansaço podem tornar a reta final complicada. Para ter sucesso no trekking, é, portanto, essencial se preparar vários meses antecipadamente, praticando uma atividade esportiva regular (caminhada, mountain bike, natação, etc.).
Onde se localiza o Kilimanjaro?
O monte Kilimanjaro está localizado no nordeste da Tanzânia – e não no Quênia! A confusão vem de sua proximidade com a fronteira queniana (de onde pode ser observado), mas também do fato de que parte do Vale do Grande Rift, embora amplamente situada no Quênia, se estende também, em parte, na Tanzânia.
O monte Quênia é mais difícil de escalar que o Kilimanjaro?
Embora o pico do monte Quênia seja menos elevado que o do Kilimanjaro, é um pouco mais difícil. As razões? Um terreno mais acidentado, desníveis importantes e alguns trechos técnicos… Uma boa preparação física e mental é necessária para suportar o cansaço e a altitude.
Qual é o preço de uma ascensão do monte Quênia?
O preço de uma ascensão do monte Quênia oscila em torno de 650€ por pessoa, para aproximadamente 5 dias de trekking. Isso geralmente inclui as taxas de entrada, as despesas de acampamento, os guias, as refeições (sem passagem aérea e despesas de agência). Para a ascensão, um caminhante é acompanhado por vários carregadores, adicione então um suplemento de 10-15€ por dia e por carregador. Finalmente, o monte Quênia é frequentemente mais barato que o monte Kilimanjaro (que se beneficia de um atrativo turístico mais importante).






